Há dias assim, como hoje.
Era em dias como hoje que, se eu tivesse um carro, pegava nele e seguia sem destino. Ou rumo ao sol. Há dias em que não apetece sair de casa; há outros em que não apetece lá estar. Como hoje.
Por isso agarra em mim e leva-me. Leva-me por aí fora, sigamos caminho. Vem comigo. Não venhas atrás de mim, não vás à minha frente. Vai a meu lado. Tira-me de casa, nem que seja para nos sentarmos ao fundo das escadas. Arranca-me desta solidão que se abate sobre mim nestes dias claros. Deviam ser dias alegres. Se ao menos tu estivesses comigo… Não consigo explicar esta vontade de apenas ir, quando está sol como o de hoje. Apetece-me ir, só isso. Contigo. Ir onde? Não sei. Sigamos sem destino. Fiquemos sentados num qualquer banco de jardim a olhar o rio. Deitemo-nos na relva a olhar o céu.
E falemos do trivial. Falemos do dia, de como o sol arde nos olhos, de como o céu está azul, de como o frio congela os pés, de como temos saudade do verão…Deixemos as coisas sérias. Outros dias virão. Hoje está sol demais para isso.
Vivamos, apenas. E já é muito.
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